quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"hoje é o céu, você e eu."

ela lavava a louça.
dois pratos. dois copos. quatro talheres.

- Valentina, meu amor, eu vou deitar.
- tá.
- te espero pra dormir.
- eu já to indo.

ela arrumou a bolsa e os livros pra amanhã de manhã.
ela foi pro banheiro, tomou um banho, vestiu a camiseta velha dele, se deitou, apagou o abajur, fechou os olhos e suspirou.

toda a vida inteira que Valentina tinha agora.
todo o amor inteiro e tão suplicado, deitado ao seu lado e já respirando alto.
e os cachos vermelhos se enroscando nas mãos dele -
a vagabunda sendo dele.
somente dele.

não é mais James.
não é mais despedida.
não é mais desamor.

era o nó que as pernas dela já faziam com as dele e todo o caos diluído num só beijo no meio da madrugada. todo o amor do mundo dentro do peito e não doendo. todos os buracos trancafiados ganhando carinho e virando ternura, coisa boa, sobremesa de domingo, alegria pra moldura.

e agora é domingo, tarde de setembro, com flores, sorriso e simplicidade - sem mais drama, bilhetes derradeiros, hora de dança, aliança jogada na lama.

ela sorriu, se virou, acariciou os cabelos dele e deu-lhe um beijo atrás da orelha.

- boa noite, meu amor.

Valentina sendo feliz e agora dormindo toda noite numa mesma cama.





pra quem não precisa mais de meio tesão, meia saudade ou meio vazio. 
pra quem não precisa mais de indiferença mal-resolvida.
o amor é muito mais que isso. 

2 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Tou emocionado. Coisa mais linda.
O texto que eu procuro na internet há tempos e achei. Minha biografia fora gênero, tão íntima.

LINDO, Verônica.

Mariana de O. C. disse...

me deu uma pontinha de vontade de saber o que é isso..