domingo, 21 de maio de 2017

gengibre.

da minha passividade eu já mencionei.
da minha retração afetiva eu não te falei, mas pretendo um dia.
do meu hábito novo de me afundar no teu cheiro de bala e perfume, e ouvir tua respiração até dormir - eu não vou ficar com uma fita métrica tentando dar forma pra isso.
pra me retorcer gemendo baixinho nas tuas mãos delicadas, e mergulhar nos teus carinhos e elogios - não me peça arrependimento por todos os adjetivos, não me peça pudor mesmo que seja um precipício.
pra subir toda essa rampa suave e fluída, eu não preciso de fôlego.
só espero não estar podando o que quer que seja por toda essa minha ausência. ou agressividade.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

beladona.

sobre a garoa fininha que a gente acha que não molha mas a encharca a roupa. a garoa fininha que passa por mim agora. eu não sei se me demoro nela e me deixo encharcar. eu não sei se sigo meu caminho correndo tentando não me demorar.
porque você já me molhou, de qualquer forma.

o papel descolando da parede e meu medo repousando quieto no teu peito. minha dívida e minha incerteza das minhas certezas. e eu repito até não fazer sentido. te repito até minha fuga dar seu latido.
mas é fuga ou passividade?

"eu mudei porque a forma com que eu me relaciono mudou."


(I like you a lot)
putting on my music while I’m watching the boys
(so I do what you want)
singing soft grunge just to soak up the noise
(Blue Ribbons on ice)
playing their guitars, only one of my toys
(cause I like you a lot)
no holds barred, I’ve been sent to destroy

segunda-feira, 24 de abril de 2017

mar.

novamente a concha.
e eu me reconheço encerrada nessas paredes.
toda a realidade azul-marinho da redescoberta. de novo.
meus tentáculos soltos pela minha solidão.
e é salgado.
inóspito.
meu.
minha insegurança é a boia que me suga pra superfície que me faz oxidar e sufocar acuada.
e toda a falta de amor da minha vida permanece afogada. como um navio naufragado que uma hora ou outra acaba virando parte de mim.
cardumes de peixes coloridos às vezes aparecem feito entidades que podem me levar pra maldita superfície se eu me deixar levar distraída. coloridos e normalmente nocivos. eu não vou atrás. eu não posso ir.

eu vou continuar nadando.
afundada na minha tranquilidade marinha.
com meus corais e perigos. mas pelo menos em casa.



I am tired of punching in the wind
I am tired of letting it all in
and I should eat you up and spit you right out
I should not care but I don't know how.

terça-feira, 4 de abril de 2017

poente.

e entre noites brilhantes e dias lutando, eu vou respirar e engolir a seco por nunca ter sido amada.
eu vou batalhar pra não precisar mais disso porque eu não vou mais moldar minha personalidade pra ganhar qualquer tipo de migalhas.
eu não preciso mais viver pra ter um afeto esfarelado e esquálido de qualquer pessoa.

eu vou me bastar pra mim mesma.


seja lá o que isso venha significar pra mim.




a chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
quem foi que te ensinou a rezar?
que santo vai brigar por você?
que povo aprova o que você fez?
devolve aquela minha TV que eu vou de vez.

terça-feira, 7 de março de 2017

biblioteca.

minhas unhas sujas o tempo todo
meu cansaço ardendo
a pele avisando
um cigarro sendo comodo.

o cinza chega aos poucos.

quem vem me é desconhecido.
e eu recebo tudo num silêncio abatido.
os lírios já perderam o perfume.
só sobrou meu azedo de costume.

de limpa só a cachaça
pra absorver a queda
e acobertar minha fumaça.

e então eu vou agir como se espera.

mas por aqui ainda é claro;
mesmo que amargo.

eu sou difícil de ser amada mesmo
e só vou andando pelas mentiras a esmo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

armlock.

teu fantasma me persegue a cada copo que eu viro. eu consigo sentir tuas mãos passando pelo meu corpo. o dia clareia e eu me esfacelo bêbada na calçada. eu não quero imaginar o que eu signifiquei pra você. minhas olheiras nem se surpreendem mais. eu não quero ser tua massinha de modelar. eu não quero ser a outra. eu pisco e sinto tuas mentiras. você é um cretino manipulador e tudo parece que vai se apagar se eu transar com você. o gosto amargo não sai da minha boca desde sábado.

devolve minhas fotos. devolve meu carinho. devolve minha honestidade. devolve meu tesão. devolve minhas risadas contigo. devolve os cigarros que eu fumei por tua causa. devolve todo meu coração que eu te abri. devolve minha alegria de carnaval.

sábado, 4 de março de 2017

elevador

é 1:27 e eu vou procurar na internet yoga pra aliviar a ansiedade depois de ter virado uma caneca de café porque parece que não vai dar mais pra enfrentar as coisas sozinha só que eu não vou conseguir fazer essa porra de exercício direito por causa dessa sinusite maldita e pelo choro, mas eu vou ficar ereta vou ignorar a dor nos joelhos vou ignorar minha incapacidade pra terminar as coisas vou ignorar tudo falando que eu só sou feliz com alguém porque agora é 1:33 e o choro pelo menos já parou.

e eu não vou precisar de ninguém pra ser completa não vou precisar de ninguém pra ser completa não vou precisar de ninguém pra ser completa mas meus pés doem muito porque eu simplesmente não consigo assimilar sobre a profissionalização dos senadores nos últimos 100 anos porque eu ainda não parei de sentir demais porque eu ainda não deixei todos eles pra lá porque meu pai ainda não voltou a falar comigo porque tudo acontece ao meu redor e eu só tenho vontade de deitar e ficar quieta.

nada mais faz sentido.

minha tosse ainda não parou e várias bolinhas aparecem pelo meu corpo e mesmo assim vou continuar tirando fotos sem roupa e ficar me enganando que eu vou parar com o cigarro porque o teto está cada vez mais baixo e eu sinto um pouco de dificuldade em respirar e me acalmar.
eu sinto saudade de quem eu nunca tive e realmente: nada mais faz sentido.

até quase ontem eu tinha purpurina pelo meu corpo só que agora um azedo sobe pelo esôfago e eu satisfaço meu tesão por fotos e palavras da tua voz que talvez eu nunca tenha ouvido. ou só me esqueci. eu vou sonhar sem culpa em te lamber inteiro até o talo e me tocar pensando em ti até ficar claro porque eu comecei tudo isso numa crise de choro e agora eu só quero transar com você.
porra, como eu quero transar com você.

já é 1:51 e eu vou dormir desejando que todos esses 850km não existissem desejando tuas mãos em mim desejando que você não me decepcione.




but all you want is milk
more than you can drink
and all you want is honey
you can't take the sting
you live for over-kill, but you're ungrateful still