terça-feira, 4 de abril de 2017

poente.

e entre noites brilhantes e dias lutando, eu vou respirar e engolir a seco por nunca ter sido amada.
eu vou batalhar pra não precisar mais disso porque eu não vou mais moldar minha personalidade pra ganhar qualquer tipo de migalhas.
eu não preciso mais viver pra ter um afeto esfarelado e esquálido de qualquer pessoa.

eu vou me bastar pra mim mesma.


seja lá o que isso venha significar pra mim.




a chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
quem foi que te ensinou a rezar?
que santo vai brigar por você?
que povo aprova o que você fez?
devolve aquela minha TV que eu vou de vez.

terça-feira, 7 de março de 2017

biblioteca.

minhas unhas sujas o tempo todo
meu cansaço ardendo
a pele avisando
um cigarro sendo comodo.

o cinza chega aos poucos.

quem vem me é desconhecido.
e eu recebo tudo num silêncio abatido.
os lírios já perderam o perfume.
só sobrou meu azedo de costume.

de limpa só a cachaça
pra absorver a queda
e acobertar minha fumaça.

e então eu vou agir como se espera.

mas por aqui ainda é claro;
mesmo que amargo.

eu sou difícil de ser amada mesmo
e só vou andando pelas mentiras a esmo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

armlock.

teu fantasma me persegue a cada copo que eu viro. eu consigo sentir tuas mãos passando pelo meu corpo. o dia clareia e eu me esfacelo bêbada na calçada. eu não quero imaginar o que eu signifiquei pra você. minhas olheiras nem se surpreendem mais. eu não quero ser tua massinha de modelar. eu não quero ser a outra. eu pisco e sinto tuas mentiras. você é um cretino manipulador e tudo parece que vai se apagar se eu transar com você. o gosto amargo não sai da minha boca desde sábado.

devolve minhas fotos. devolve meu carinho. devolve minha honestidade. devolve meu tesão. devolve minhas risadas contigo. devolve os cigarros que eu fumei por tua causa. devolve todo meu coração que eu te abri. devolve minha alegria de carnaval.

sábado, 4 de março de 2017

elevador

é 1:27 e eu vou procurar na internet yoga pra aliviar a ansiedade depois de ter virado uma caneca de café porque parece que não vai dar mais pra enfrentar as coisas sozinha só que eu não vou conseguir fazer essa porra de exercício direito por causa dessa sinusite maldita e pelo choro, mas eu vou ficar ereta vou ignorar a dor nos joelhos vou ignorar minha incapacidade pra terminar as coisas vou ignorar tudo falando que eu só sou feliz com alguém porque agora é 1:33 e o choro pelo menos já parou.

e eu não vou precisar de ninguém pra ser completa não vou precisar de ninguém pra ser completa não vou precisar de ninguém pra ser completa mas meus pés doem muito porque eu simplesmente não consigo assimilar sobre a profissionalização dos senadores nos últimos 100 anos porque eu ainda não parei de sentir demais porque eu ainda não deixei todos eles pra lá porque meu pai ainda não voltou a falar comigo porque tudo acontece ao meu redor e eu só tenho vontade de deitar e ficar quieta.

nada mais faz sentido.

minha tosse ainda não parou e várias bolinhas aparecem pelo meu corpo e mesmo assim vou continuar tirando fotos sem roupa e ficar me enganando que eu vou parar com o cigarro porque o teto está cada vez mais baixo e eu sinto um pouco de dificuldade em respirar e me acalmar.
eu sinto saudade de quem eu nunca tive e realmente: nada mais faz sentido.

até quase ontem eu tinha purpurina pelo meu corpo só que agora um azedo sobe pelo esôfago e eu satisfaço meu tesão por fotos e palavras da tua voz que talvez eu nunca tenha ouvido. ou só me esqueci. eu vou sonhar sem culpa em te lamber inteiro até o talo e me tocar pensando em ti até ficar claro porque eu comecei tudo isso numa crise de choro e agora eu só quero transar com você.
porra, como eu quero transar com você.

já é 1:51 e eu vou dormir desejando que todos esses 850km não existissem desejando tuas mãos em mim desejando que você não me decepcione.




but all you want is milk
more than you can drink
and all you want is honey
you can't take the sting
you live for over-kill, but you're ungrateful still

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

avenida Kalinin

minha concentração me escapa o tempo todo e eu vou me sentir uma impostora em qualquer lugar e não me sobrou nenhuma unha pra roer e nem uma esperança pra eu me apegar.

"mas eu só queria mesmo era o teu amor na barraca."

eu vou dedicar meus versos todos pro meu tesão e pra essas minhas paixonites porque eu não preciso me esforçar pra ser alguém melhor agora, porque eu posso me aceitar no meu próprio tempo.
a emancipação da mulher nunca vai ser plena e completa enquanto vivermos em uma sociedade de classes, patriarcal e monogâmica. e não é um texto panfletário, mas só sobre o quanto isso me faz sentido materialmente agora: eu me sinto mais livre, eu respiro melhor e me respeito. 
eu não sei mais se um relacionamento vai me bastar quanto me bastava há dois meses atrás. talvez o amor se trate mais sobre meu aprisionamento do que sobre afeto. e isso é valioso.

meus pés doem e minha bagunça continua caótica e no meu cabelo ainda tem uns restos da purpurina de sábado passado e nada disso me faz ser menos eu mesma.
eu vou permanecer calma e plena porque eu enxergo tudo o que eu preciso, e tudo que está claro e na minha frente eu sei que vou precisar buscar somente em mim mesma.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

can this bridge cross the ocean?

eu te lamberia inteiro agora. beijaria todo teu rosto inchado de sono depois de gozar. e então faria carinho em todo o teu cabelo que não caiu. eu poderia ficar montada em você pra sempre. me afundaria na tua verborragia aleatória e desejaria baixinho para você me olhar com o mesmo interesse que olhou pra minha estante. ficaria eternamente imaginando o que teus olhos quiseram tanto me dizer. e te daria todos os abraços que quis dar e não dei.
se eu pudesse, te desejaria sem culpa e faria todo o teu suor valer a pena.

sábado, 28 de janeiro de 2017

queimando mapas.

eu sou a vontade de tomar banho pra tirar esse cheiro de descompromisso e escovar os dentes pra tirar o gosto de cerveja quente.
eu sou toda a vontade de transar com você que eu escondo e me faço de desapegada.
e eu sou toda a mais-valia e capital variável das crises dessa semana e as relações que não são de troca mas que a gente se trata como mercadoria.
eu sou o microfone desligado pela tomada.
eu sou tudo o que vi mas escolho deixar em mim.
eu sou todo o carinho das minhas amigas.
eu sou toda a cerveja que tomei e o samba que aproveitei.
eu sou todos os homens da minha vida que me amam mas mesmo assim foram embora.
eu sou toda a vontade que eu tenho de ter mais de você.
eu sou toda a confusão de tentar escolher alguém pra beijar à noite.
eu sou a sensação de deitar limpa, nua e límpida na cama e saber que sou só eu.
eu sou só eu.
mesmo que a vida seja toda essa contradição.



ela desatinou
desatou nós
vai viver só