segunda-feira, 24 de julho de 2017

lixeira vazia.

minhas madrugadas existem por um motivo. ou dois.
meus mapas é que eu já não sei: sempre que eu me pego assim honesta, dá vontade de voltar pra saída que encontrei em março. mas então me distraio demais observando teus sinais, tentando encaixa-los nas minhas perguntas. distraída demais me encantando por você. os mapas talvez estejam guardados. apreensivos, caso tenham que voltar pra mesa. mas preparados, eu, os mapas, a mesa, os caminhos.
não liga pro meu eterno estado de alerta. não liga pra minha distração. não liga se eu gosto de você muito mais do que deveria.
não me esforço pra me perder na voltinha puxada no canto dos teus olhos. não me esforço pra admirar os teus cabelos tão pretos. não vou evitar minha obviedade, minha facilidade. não vou evitar que tudo o que eu faça perto de você seja uma declaração.




can't get you out of my veins
you can't escape my affection
wrap you up in my daisy chains

hip-hop in the summer
don't be a bummer, babe.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

assembleia.

eu tenho a sensação que você é inteiro simples, só que em camadas. você é inteiro feito de camadas de simplicidade, não sempre acessíveis, mas com a impressão de serem sempre fáceis. feito vários problemas matemáticos lá, dispostos simplesmente, que só esperam pelo resultado. e pouco a pouco eu vou aprendendo as fórmulas pra te descobrir. ou só te observar.

eu quero lamber teus becos e te respirar inteiro, até os defeitos e os trejeitos, os escuros e os escudos.
poderia pedir desculpas e varrer minha intensidade pra dentro. mas nem se eu quisesse agora, conseguiria fugir. muito menos ficar pela metade.

domingo, 2 de julho de 2017

sobre as cores quentes.

e você chega devagarinho com cheiro de cigarro e camisetas cheias de histórias, às vezes bêbado ou só tarde da noite. mas nunca atrasado. ou nunca muito claro.
e vai me derrubando com os teus calendários e planos, enquanto eu sempre me perco nos teus ombros arqueados.
eu nunca sei direito o que está acontecendo. ou só não presto atenção. ou só acabo me enganando.
às vezes fico tão absorta no que acontece por dentro que quando vejo, já desmanchei teu cheiro da coberta com a minha fumaça.

mas sem mais precisar me organizar, com ou sem tua ajuda - sem ser controlada ou invadida.
eu estou inteira recebendo tuas visitas.

a única dificuldade é saber se é sobre mim ou você. talvez porque eu esteja fugindo desde março da resposta.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

jellyfish.

eu não sei se agora eu saberia listar todas as provas que já me deram de que eu sou difícil de ser amada.
e também só ser difícil.
mas talvez eu consiga falar que eu sou intensa demais pra ser fechada como deveria. ou talvez como você. eu tento, mas às vezes só transborda. 
e eu sempre estou transbordando.

talvez tudo isso seja só sobre minha insegurança vs. minha independência.

mas é que eu já não sei mais como é sentir teu gosto sem fazer bagunça.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

átrio.

me desculpa pela bagunça, pela quantidade de cabelos largados em você. eu estou aceitando que eu nunca vou ser dessas gurias de tumblr, eu nunca vou ser frágil, simples ou cor de rosa. me desculpa pensar demais em você, mas me deixa não devolver o que quer que seja. deixa eu trocar as coisas do lugar, deixa eu tirar o pó dos móveis e te invadir com a minha vontade. não se assusta. não vai embora. esquece aqui em casa mais que a camiseta. então não fica quieto e fala das cores e dos defeitos. e do seu peito. e se está satisfeito. e se eu estou fazendo direito.
fala baixinho o que você quer e eu entrego.
mesmo que bagunçado.
mesmo que seja certo ou errado.


you were a vision in the morning when the light came through
I know I’ve only felt religion when I’ve lied with you.

domingo, 4 de junho de 2017

lua crescente.

eu estou presa nas arestas dos teus olhos. e paralisada no meio do tempo quando esses olhos me olham. imobilizada esperando tua vontade tão delicada e meio misteriosa.

aliviada na nossa igualdade enquanto agimos como se tudo isso não existisse.

e toda minha fome dos teus beijos cheios de coisas não ditas. aguardando tua tranquilidade me preencher, pra cair na nossa sonolência recheada de cumplicidade.

terça-feira, 30 de maio de 2017

presente.

a lixeira eu não esvaziei. o peito eu já não sei, porque você sempre me pega com tanta leveza que eu quase não sei o que vai e o que fica. seu chuviscar continua mas as vezes vem uma neblina antiga me confundir. ou só forçar meu azedume.
não se trata de saudade ou infelicidade. é sempre sobre o emaranhado de coisa sem forma e sem fim, e sabe deus o que eu vou fazer com isso. sei que eu não tenho nada mais a entregar ao passado. mas também não sei se existe um futuro. e como eu vou entregar. se é que há uma entrega.
eu já tentei não pensar. já tentei pensar demais até gastar. não para de garoar e de fazer falta tua sutileza.
minha intensidade ainda tá aqui, dentro de mim, pegando fogo de vontade do teu corpo e dos teus beijos. mas eu não sou mais adolescente. eu não sou mais impressionável.

minhas pernas ainda tremem mas agora tem cheiro de gengibre.
ainda bem.


take off, take off
take off all your clothes.