segunda-feira, 18 de junho de 2018

junho.

é que vê, eu te amo até tudo ficar quieto e tua respiração sair baixinho da tua boca entreaberta. e então não sinto tanta culpa porque teu corpo me recebe tão bem que eu sinto como se tivesse em casa - 
eu te amo por não me fazer sentir culpa. e por você ser tão externo a mim que parece um paraíso. com os teus dedos finos e tua pele que pode derreter a qualquer momento.
eu amo até o teu silêncio. e teus braços e tuas pernas que remam tanto em mim tão gentilmente, mesmo nos meus dias de ressaca.
eu até pediria desculpas por te amar assim demais mas você tem que saber que tudo que eu tenho pra dar vem com o "demais". e eu preciso tanto de sossego. e calma. e alívio. tudo isso que você me dá debaixo de três cobertas, com a tua sutileza que cheira gengibre e conforto.

terça-feira, 8 de maio de 2018

sobre o ciúme e a deslealdade.

fim de semestre sempre trazendo essa sensação de alma ácida, gasta, carregada de sentimento velho, olheiras, memória inútil e unhas roídas. 
e eu acabo sempre me enganando que alguma hora eu vou ouvir o balde batendo no fundo das pessoas. e ao mesmo tempo que eu vou me acomodando vem a culpa de sujar as paredes e afogar a estante e manchar o tapete com a minha intensidade meio obscena, meio demais.

de qualquer forma, eu sempre me assusto que você não se assusta.

eu sempre estou treinando pra te revelar algo. ainda.
mesmo assim, todo e qualquer instinto meu, é teu - seja ele reprimido ou selvagem.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

manhã.

sobre teu toque que me afunda a calma e me lembra que meu corpo é separado do teu mas o procura incansavelmente para encontrar sossego. 

tua temperatura que acerta o cansaço e alimenta meu afeto e faz lembrar que idealizar tuas maneiras é esfriar tudo aquilo que eu posso ser com você.

teu toque que me faz ver que qualquer lembrança tua é apagada e plana e quase indigna quando eu me deparo com você e teu jeito, quando você traga o cigarro e segura a caneta e arruma o cabelo e existe em toda a tua totalidade com charme e simplicidade.

teu toque que me ensina toda vez que te amar é insondável e ainda assim me faz feliz. muito feliz.

sábado, 10 de março de 2018

praia.

às vezes eu patino no teu deserto quase monossilábico e não chego em lugar nenhum. e canso. descabelada e desacostumada a amar alguém cheio de defeitos. com insolação de ficar te adivinhando o tempo inteiro. teu infinito árido que faz o pé afundar e tudo ficar distante, eu vagueio sempre com sede e perdida nas tuas ondas de areia que nunca transbordam. mas queimam. 

teu deserto que nunca foi um paraíso, ainda bem.
que eu volto todo dia com saudade do calor e do silêncio, atrás só de uma sombra e um mapa, por favor. 

pra ficar.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

amor IV

minha paixão por você acabou
quando eu adormeci ouvindo tua voz
e quando vi tua beleza infinita enquanto gozava.
minha paixão acabou
quando você me abraçou e eu senti calma,
e machucou minhas coxas com a tua vontade simples e meio feroz
e quando eu te entreguei todos os suspiros escondidos por baixo da minha constelação.
toda minha paixão por você que começou a acabar
quando eu estremeci te vendo aquele dia todo de preto
e quando você me mostrou que tudo o que eu já vivi foi só uma fração
de todo o amor que eu tenho pra sentir -

porque minha paixão estava fadada ao fim
quando percebi que eu te quero,
sem volta ou meio termo
e comecei a te amar
irremediável e incontrolavelmente.



meu amor, me faça acreditar
que tudo é possível,
pois eu temo que não amanheça
se você se for.


sábado, 6 de janeiro de 2018

agridoce.

às vezes eu só tenho medo de te mastigar depressa demais.
igual comida. que a gente gosta tanto e come com tanta pressa de vontade do sabor que acaba rápido. que o gosto enjoa do paladar e vai embora.

às vezes só parece que teu amor pode partir a qualquer momento e eu não posso te exigir nada.

a única coisa que eu tenho de garantia é esse teu sorriso agridoce.
feito shoyu e mel misturados que sabe deus o que significa mas que você sabe do que eu acho.

eu nunca te quis assim.
mas eu te quero de qualquer jeito.
mesmo que nem seja você de verdade. 
mesmo que seja você só fruto da minha imaginação com raiva.

esses dias eu me peguei temendo tua partida porque de qualquer forma acabou a paixão por aqui.
é só amor agora.*
como se fosse manso feito você.
e inteirinho na minha vontade eterna de ti.







*como se meu amor fosse leve o bastante pra me fazer largar ou partir a qualquer momento de esquisitice tua que provavelmente me faria desistir se não fosse você. 
só que é você. 
e eu ainda preciso muito ficar pra te presenciar inteiro e sem floreio. 
com as tuas pintinhas e teu cheiro ameno. 
e pra te amar como se fosse sempre setembro.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

tsunami.

eu fecho os olhos e o mar se revira em mim, de ressaca. 
o cansaço e a saudade uivando fazem eu me agitar transbordar inteira na minha angústia por esses dias. com vontade de arrebentar as barreiras do teu amor discreto e invadir todos os teus cantos que você não me mostrou.

sobre os maremotos presos na gaiola do meu peito, sem explicações, sem desculpas nem jeito. sem culpas e inteiro, meu bem.

sobre meus dias de fim de semestre, capitalismo dependente e mercúrio em peixes, meus dias de inquietações e águas escuras, que eu sempre peço pra que fujam nem olhem pela fechadura, pra que a destruição seja só dentro e sem abertura.

por favor.