sábado, 13 de outubro de 2018

praia II

com calma, eu vou morrer todo dia de vontade de você.

porque hoje a lua é crescente.
e minhas marés transbordam sutis pensando em você e nos teus dedos gelados.

porque talvez eu te conheça com facilidade
mas eu nunca resisto aos teus cabelos bagunçados e
sempre me surpreendo com a tua boca sobre mim, com agilidade.

você que me olha sempre com teus olhos tranquilos
não imagina o quanto de amor meu coração desaba em resposta -
despindo minha intensidade só quando eu gozo sobre a tua pele -
e que eu sempre termino desaguando na tua costa.



cum for me, comfort me
my misery could use a lil company
i think i'm losing it cause you're the only one for me
i been needing you to spell it whicha tongue for me
i been needing you to spell it whicha tongue for me
keep you sprung one, get you strung on me
give your lungs to me, don't you run from me, don't you run from me.


sábado, 22 de setembro de 2018

setembro.

quase sempre interpretando a mesma apatia azeda, talvez eu só tenha me entregado ao cansaço. minha "pureza" engolida pela rotina, e minha intensidade pungente escondida, quieta, no cantinho das emoções que eu entrego pras pessoas. 

e então a raiva o desconforto a discordância minha bagunça o carinho a dor e a tristeza as mágoas meus espinhos e os sorrisos tudo reprimido e enfiado no peito, desacostumados com tão pouco espaço dentro de mim porque eles são feitos pra sair mas eu só cansei de contar o que eles são pro mundo porque talvez ninguém ouviu. ninguém ouviu e agora eu não consigo mais falar. porque eu fui demais e as pessoas não gostaram.

vê: tanta pancada que eu só virei um mar reduzido num aquário, reservado à observar meus excessos e ocultando-os como punição. 

hoje é primavera e eu sequer floresci o que sabe deus agora eu tenho dentro de mim.


domingo, 16 de setembro de 2018

mar III

sobre os naufrágios e a chuva forte, tanta mágoa isolada e a única coisa que eu ouço é minha insegurança ventando.
sobre a água turva e as dúvidas.
sobre então a água ficando gelada e tudo aquilo que eu não falo. meu mercúrio afundado.
sobre as ondas ficando rápidas, e trazendo sinais de ressaca. mas o som delas quebrando na praia, ainda existem se ninguém ouve?
sobre então minha correnteza ficando cada vez mais selvagem e intratável. trancafiada na gaiola do meu peito e muda. violenta e cada vez mais impenetrável.

terça-feira, 26 de junho de 2018

confissão.

eu te disse dias atrás na cama que eu tava fazendo uma redação sobre o seu toque. provavelmente uma redação que eu não vou terminar nunca porque eu sempre vou precisar estudar um pouquinho mais.

mas eu te disse: teu toque é não-convencional, nada do que eu poderia esperar mas sempre chega e é sempre o melhor momento do meu dia.
é o que clareia minha mente tão cheia, meu bem - clareia feito uma pedrinha preciosa perdida num bar empanturrado de gente óbvia tentando não confirmar sua obviedade -

eu vou tentar não ser redundante ou ficar caindo nas baboseiras etnográficas que não deu pra fugir esse semestre -

vê: eu te amo porque você existe totalmente fora de mim; e você não vai entender o quanto isso é importante pra mim, mas é tanto que dá até vontade de chorar. você me ganha toda vez com o teu silêncio impenetrável e meio charmoso.

e eu vou repetir toda tua presença na minha memória até te ver de novo feito uma prece tranquila e perfumada porque nós dois juntos nunca vai ter explicação numa receita que dá certo ou errado. te amar nunca vai ser simples a esse ponto, muito menos meu amor vai ser simples a esse ponto.

eu talvez nunca vá saber se você me entende e se eu só me perco toda vez, nesse monólogo sempre intenso e confuso.
mas só de você existir na minha vida e deixar minhas bagunças saírem sem culpa já é um alívio -
você é meu alívio.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

junho.

é que vê, eu te amo até tudo ficar quieto e tua respiração sair baixinho da tua boca entreaberta. e então não sinto tanta culpa porque teu corpo me recebe tão bem que eu sinto como se tivesse em casa - 
eu te amo por não me fazer sentir culpa. e por você ser tão externo a mim que parece um paraíso. com os teus dedos finos e tua pele que pode derreter a qualquer momento.
eu amo até o teu silêncio. e teus braços e tuas pernas que remam tanto em mim tão gentilmente, mesmo nos meus dias de ressaca.
eu até pediria desculpas por te amar assim demais mas você tem que saber que tudo que eu tenho pra dar vem com o "demais". e eu preciso tanto de sossego. e calma. e alívio. tudo isso que você me dá debaixo de três cobertas, com a tua sutileza que cheira gengibre e conforto.

terça-feira, 8 de maio de 2018

sobre o ciúme e a deslealdade.

fim de semestre sempre trazendo essa sensação de alma ácida, gasta, carregada de sentimento velho, olheiras, memória inútil e unhas roídas. 
e eu acabo sempre me enganando que alguma hora eu vou ouvir o balde batendo no fundo das pessoas. e ao mesmo tempo que eu vou me acomodando vem a culpa de sujar as paredes e afogar a estante e manchar o tapete com a minha intensidade meio obscena, meio demais.

de qualquer forma, eu sempre me assusto que você não se assusta.

eu sempre estou treinando pra te revelar algo. ainda.
mesmo assim, todo e qualquer instinto meu, é teu - seja ele reprimido ou selvagem.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

manhã.

sobre teu toque que me afunda a calma e me lembra que meu corpo é separado do teu mas o procura incansavelmente para encontrar sossego. 

tua temperatura que acerta o cansaço e alimenta meu afeto e faz lembrar que idealizar tuas maneiras é esfriar tudo aquilo que eu posso ser com você.

teu toque que me faz ver que qualquer lembrança tua é apagada e plana e quase indigna quando eu me deparo com você e teu jeito, quando você traga o cigarro e segura a caneta e arruma o cabelo e existe em toda a tua totalidade com charme e simplicidade.

teu toque que me ensina toda vez que te amar é insondável e ainda assim me faz feliz. muito feliz.