segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

amor IV

minha paixão por você acabou
quando eu adormeci ouvindo tua voz
e quando vi tua beleza infinita enquanto gozava.
minha paixão acabou
quando você me abraçou e eu senti calma,
e machucou minhas coxas com a tua vontade simples e meio feroz
e quando eu te entreguei todos os suspiros escondidos por baixo da minha constelação.
toda minha paixão por você que começou a acabar
quando eu estremeci te vendo aquele dia todo de preto
e quando você me mostrou que tudo o que eu já vivi foi só uma fração
de todo o amor que eu tenho pra sentir -

porque minha paixão estava fadada ao fim
quando percebi que eu te quero,
sem volta ou meio termo
e comecei a te amar
irremediável e incontrolavelmente.



meu amor, me faça acreditar
que tudo é possível,
pois eu temo que não amanheça
se você se for.


sábado, 6 de janeiro de 2018

agridoce.

às vezes eu só tenho medo de te mastigar depressa demais.
igual comida. que a gente gosta tanto e come com tanta pressa de vontade do sabor que acaba rápido. que o gosto enjoa do paladar e vai embora.

às vezes só parece que teu amor pode partir a qualquer momento e eu não posso te exigir nada.

a única coisa que eu tenho de garantia é esse teu sorriso agridoce.
feito shoyu e mel misturados que sabe deus o que significa mas que você sabe do que eu acho.

eu nunca te quis assim.
mas eu te quero de qualquer jeito.
mesmo que nem seja você de verdade. 
mesmo que seja você só fruto da minha imaginação com raiva.

esses dias eu me peguei temendo tua partida porque de qualquer forma acabou a paixão por aqui.
é só amor agora.*
como se fosse manso feito você.
e inteirinho na minha vontade eterna de ti.







*como se meu amor fosse leve o bastante pra me fazer largar ou partir a qualquer momento de esquisitice tua que provavelmente me faria desistir se não fosse você. 
só que é você. 
e eu ainda preciso muito ficar pra te presenciar inteiro e sem floreio. 
com as tuas pintinhas e teu cheiro ameno. 
e pra te amar como se fosse sempre setembro.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

tsunami.

eu fecho os olhos e o mar se revira em mim, de ressaca. 
o cansaço e a saudade uivando fazem eu me agitar transbordar inteira na minha angústia por esses dias. com vontade de arrebentar as barreiras do teu amor discreto e invadir todos os teus cantos que você não me mostrou.

sobre os maremotos presos na gaiola do meu peito, sem explicações, sem desculpas nem jeito. sem culpas e inteiro, meu bem.

sobre meus dias de fim de semestre, capitalismo dependente e mercúrio em peixes, meus dias de inquietações e águas escuras, que eu sempre peço pra que fujam nem olhem pela fechadura, pra que a destruição seja só dentro e sem abertura.

por favor.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

mar II

não me sacralize nem me elogie porque o café e a fumaça e os prazos e o cansaço é tudo um azedo parado e pesado: qualquer tipo de responsabilidade não vai me tornar livre ou afável.
e tudo envolve esforço.
não que seja incômodo.
mas é que remexer e refletir sobre tudo é às vezes só tão exaustivo.

tanta dúvida e tanto peso que existir parece ser só um afundar.

mas eu vou resolver que meus tremores são de alívio.
e que mesmo cansada, prossigo.
porque não existe nada em mim que eu não tenha conhecimento, mesmo as coisas não ditas. lucidez não é sinônimo de tranquilidade e eu nunca quis que minhas águas fossem calmas.

não me afogo.
cresço e prossigo.

domingo, 5 de novembro de 2017

sobre os buracos.

tá chegando a hora de eu começar a te contar das minhas coisas.

das coisas que a gente traz pra tudo que a gente faz mas não fala.

não fala porque a gente nem queria ter, mas que faz parte da gente. 
tá chegando a hora de falar da vez que não choveu mas eu chorei até às 6 da manhã e só dormi depois do telefonema depois de umas 50 ligações perdidas. da vez que mesmo renascida no nada e sem nada eu tentei manter as aparências do que tava morto. 

tá chegando a hora de falar isso tudo porque ainda é difícil acreditar que eu mereço o amor.

eu li esses dias um texto que falava do bom de amar e isso não ser teu ponto fraco mas sim te fortalecer. eu sei o que é porque eu vivo isso contigo. meu amor inteiro que eu te dou agora e não me deixa despersonalizada ou esburacada. eu agora não tenho medo caso você queira ir embora porque eu sei exatamente o que você leva junto contigo e o que você deixa por aqui. e o que permanece comigo.

mas sobre as coisas, eu preciso falar delas pra você porque eu não aprendi ainda a ganhar amor. então eu preciso talvez te listar as vezes que eu não tive.
pra que você pelo menos entenda.
e confirme direitinho se eu ainda assim mereço teu amor.
porque é difícil.
porque ainda dói.
e se teu amor ainda me ama mesmo assim cheia desses buracos.




I'll walk you up, what time's the bus come?

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

amor III

eu leio sobre os conceitos sociológicos fundamentais
enquanto afundo lentamente na saudade
eu sei que te vi anteontem
ainda assim meu pensamento se perde nos teus toques casuais
nos lençois atingidos pela umidade
e planejar minhas mordidas que te afrontem.

eu sinto teu amor chegando devagarinho quando você me pega.
talvez porque eu queira muito deixar meu pessimismo de lado.
ou talvez porque seja verdade.
às vezes eu sinto teu amor chegando tão rápido que aperta.
talvez porque eu ainda te descubra, mesmo calado.
ou talvez porque seja só felicidade.

sem você, eu fico fadada à minha solidão weberiana, meu bem.



it’s love like a tongue in a nostril
love like an ache in the jaw
you’re the first day of spring.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

ultraviolência.

eu poderia falar
do teu perfume eterno
que me faz sossegar
e me entregar de peito aberto -

eu poderia falar
da tua touca no centralismo-democrático,
dos teus ombros curvados
e do meu passado todo acromático
antes de você ser meu dia ensolarado.

e do teu magenta
que segundo você é o primeiro tom do vermelho
assim como você foi meu primeiro amor
depois de ter desistido do amor como quem realmente não aguenta;
mas então só foi a prova gostosa de eu não ter conseguido seguir
meu próprio conselho.

eu poderia falar
das borboletas em mim ainda levantando vôo
todas as vezes que você me observa;
mas essa sincronia que você me entrega
só faz minha agitação se afagar quieta no teu peito, em repouso.