terça-feira, 6 de setembro de 2011

dividindo a folha e a fumaça.

(escrito juntamente com Lucas Bilk, do isso não é amor, e outras histórias. 
com gosto de cafeína, tabaco, Heineken e cookies.) 

eu, ele...
e tinha a moeda e aqui era um lado e lá tinha o outro.


agora que setembro chega trazendo flores, talvez outros sabores, eu descumpro minha promessa me perdendo na tua gola – e tu me enlaça em tuas linhas, me fazendo perder a hora: sem mais me importar com as marcas de outrora, com as minhas armas jogadas fora.
e eu me esquivo de teu romantismo enquanto eu me rasgo quieta de vontade de você, de fome do teu charco me engolindo mansa, dos meus seios passando pela tua boca, da minha pele se eriçando louca, dos teus sorrisos me roubando toda.
é sobre o efeito que é você em mim, que são teus beijos tirando meu batom carmim, que é tua canalhice me ganhando assim.

e eu te beijei a testa, pra mandar embora tua dor de cabeça. e tu me falou sobre karma, arquétipo, Platão. sobre a vida, a religião, o amor.
o nosso amor.




as arestas do teu sorriso diziam-me para não parar de te beijar, minhas mãos suplicavam as tuas. e o vento que vinha, bagunçava teus cabelos, me dizia que teu cheiro já não sairia mais da minha pele. tuas lágrimas de outrora já haviam secado, eu só me importava com teus sorrisos de agora. acabou a música mas a poesia não terminou.

acabou o esconde-esconde mas a chama não se apagou.

o incêndio só havia começado. tua língua ferina inflamava o desejo em mim.

o teu gosto de fumaça que me tirava o ar,

a chama escarlate na ponta dos teus lábios, teu orgulho auto-suficiente,

e a tua respiração me dando arrepios, os teus olhos dizendo qualquer coisa impossível de decifrar, e só meu coração esburacado eu conseguia te dar,

a vontade implícita de nunca mais te largar, suprimida nas linhas dos teus olhos que se desmanchou em um contorno borrado,

e a luz do chão se acendeu enquanto meus parágrafos já iam sendo teus, e a manta amarela, outrora quieta, carregando os segredos do nosso céu.

tua tez irônica me dizia, mesmo assim, que o revés não funciona. a retórica das declarações perdia-se nas palavras de amor.
“por que não começamos isso antes ?”

por entre os galhos e as folhas, cabelos e palavras, já não sabíamos onde isso ia parar, não é dor, é outra coisa: é amor, já dizia qualquer outra coisa.

5 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Ambas as partes, lindas, tocantes e muito bem escritas. Já sou seu fã, de Lucas tornei-me agora.

Caroline V. Peres disse...

Perfeito. Simplesmente, perfeito.

Mariana de O. C. disse...

tem tudo que qualquer pessoa precisa: um pouco de poesia, um pouco de amor correspondido, um pouco de carinho e um pouco da sua essência.

Evelyne Joyce disse...

Lindo texto.
Obscuro na medida certa. Poético sem ser meloso. E acho que além de tudo, é verdadeiro.
Perfeito seu blog. Tô seguindo. Simplesmente amei.

Suzi disse...

Esse texto é pura paixão!