sábado, 3 de setembro de 2011

para meu anjo.

(escrito ao som derradeiro de Wonderwall, Lisztomania, High and Dry, Nothing in my Way, Frank Sinatra e Luz dos Olhos.)



só doeu.
e não o fim: a mentira, veja bem.

de agosto a agosto, eu amei feito um inferno. eu me importei até rasgar. eu chorei até sumir. eu repassei cada diálogo, cada lembrança, cada sorriso, cada carinho enlouquecida, tentando encontrar explicação, solução pra tudo isso. e assim curto, essas marcas, de qualquer jeito eu carrego. as marcas que eu não consegui simplesmente te devolver naquela sacola de livraria, junto das entradas e da gravata.

eu descobri que sobre os meus abismos, só eu sei deles, meu anjo. só eu os vivi. e não sabendo mais do teu número ou da tua vida, teve lá dias que eu te quis: eu pisei numa dúzia de lágrimas até conseguir chegar aqui. eu amassei tentativas de me ganharem. fria, gelada. cheia de olheiras fundas que sorriso mais sincero do mundo não apaga. cheia do amargo que é a saudade em tardes de vento. e fria. gelada. cheia de um orgulho que não era meu. cheia de maneiras que só eram tuas. se eu sou assim agora, foi porque eu já precisei demais de você.

e sobre a empatia, o 1984, o 14:41, a proteção, o Jardim Botânico aos sábados, os porcos-espinhos, as orelhas geladas, os arranhões na costela, o 16, os cafés, a trilha sonora de filme francês, o novembro, o anônimo, a tua arrogância derradeira, vou só guardar tudo dentro do peito, sem água salgada ou raiva. já passou o ano disso tudo, veja bem. dos meus amores, eu acabo sempre cuidando sem cansar. eu acabou nunca esquecendo. eu só dou lugares pra outros novos. e talvez seja lá isso que eu estou fazendo, afinal.

isso não é despedida. porque daqui, você nunca saiu. nunca vai sair. mesmo que inexistente: de qualquer jeito, você existiu. comigo.


eternamente, 
teu docinho.

2 comentários:

Mariana de O. C. disse...

isso me lembra as teorias que eu fico bolando comigo mesma todas as noites. essa história de nao morrer, renascer, continuar viva e etc. ta divino.

J. Ríos disse...

"...dos meus amores, eu acabo sempre cuidando sem cansar. eu acabou nunca esquecendo..."Sensacional...Seguindo!

Abraços

psrecuerdame.blogspot.com