quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

leão, ascendente em libra – 2:22.

(pra ser lido ao som de Lovesong, Adele: porque pra falar de você, tinha que ter The Cure no meio, de qualquer jeito.)



pra falar de todo o mínimo detalhe de ti – das vezes que você me olha sério e cerimonioso antes de me beijar. dos teus braços que fogem do padrão de beleza pregado por aí e que são, mesmo assim, fortes. das vezes que eu te olho e vejo você hipnotizado encarando minha boca. do teu topete despenteado depois do sexo. da tua voz grave e polida me explicando o que é concreto armado ou por que o Lestat já tentou se matar. da tua arrogância com os outros. da tua risada sonolenta quando eu solto qualquer uma das minhas besteiras. dos teus olhos castanhos, que oscilam entre o claro e o esverdeado. das vezes que nós estamos andando e você segura a minha nuca. do teu charme de galã de filme antigo. dos teus sapatos sociais e da tua camiseta do Libertines. dos teus folks enjoadinhos e teus Tchaikovsky. da tua gentileza impecável. da tua pose de sério e presunçoso, dando forma ao teu leão com ascendente em libra. do jeito que você pronuncia meu nome. dos teus sarcasmos que eu entendo, mas finjo não entender, só pra você ter que falar, “eu estava sendo sarcástico”. das vezes que você fala do escoteiro. das tuas epifanias. das vezes que você canta Nelson Gonçalves. da genialidade do que você escreve. da coerência das tuas atitudes. do formato do teu rosto e do equilíbrio das tuas feições fortes e concisas. da exatidão no que você pensa e diz. das vezes que você me chama de dinossaura só pra me provocar. da tua vontade de andar sempre de mãos dadas comigo. das vezes que você é romântico e eu só consigo rir. do teu ego enorme e tão manipulável. do jeito que você segura o cigarro. das vezes que você me trata daquele teu jeito charmoso e indiferente, me deixando tão puta e tão abissalmente enfeitiçada. das vezes que você esta com sono e diz que vai dormir, onde não adianta muito o teu ‘eu te amo’ porque metade do meu coração já fica contigo no ‘boa noite’. agora pode ser tudo uma enxurrada de informações tuas e as minhas tentativas frustradas de dar ordem e significado pra isso. mas calma. algum dia eu as organizo e faço uma tese. uma tese de você – meu ursinho, meu amor. pra eu poder guardar e ter cada poro do teu corpo e cada trejeito teu nas mãos.



whatever words i say,
i will always love you. 

3 comentários:

Mariana de O. C. disse...

se a tese for MARAVILHOSA assim como esse texto é, então publica <333

Isabela Nunes Costa disse...

Faz um tempo que eu não comento aqui, mas continuo me maravilhando com cada texto que você publica.
Algo nos textos felizes e cheios de amor me desconcertam, nunca sei o que dizer.
E como não consigo deixar o desconcerto de lado... só queria dizer que os teus textos trazem mais emoção do que o que vem acontecendo no meu dia.
E correndo o risco de parecer extremamente exagerada, quando me perguntam qual é a escritora de quem eu mais gosto a resposta vem sendo sempre Verônica *---*
(E me desculpa pelo sentimentalismo, mas esse seu texto meio que me fez ficar assim).

Marcelo R. Rezende disse...

CARALHO, ler isso com a música ficou mais que perfeito.

Lindo texto, um amor gostoso!