quarta-feira, 27 de junho de 2012

ensaio sobre a saudade.

e os dias andam bonitos,
e hoje ainda é quarta.
e o sofá laranjado com a cor que você detesta.
e os teus costumeiros números combinados e anotados no papel alheio.
e os meus brincos que tanto se perderam pelo teu chão.
e as minhas unhas que exploram tanto as tuas costas.
e qualquer um escrevendo errado e não se chateando com a tua correção.
e o Lolita, Irmãos Karamazov, Cenas de Nova York.
e os cachos que eu ainda não deixei pelo seu quarto.
e o botton do Surfista Prateado.
e o telhado cinza do vizinho.
e o Vanguart naquele folk enjoadinho.
e os pedreiros lá embaixo provavelmente misturando concreto sem as devidas medições.
e os meus remédios de dor de cabeça que você tanto reclama.
e a tua blusa preta que me consola nos dias de semana.
e eu indo dormir descoberta toda noite.

e o domingo ainda tão longe...



vou me distrair, vou pestanejar, vou engatilhar
mas não disparar e ai de você
se não me entender,
não me faças caso, ou vou me perder
entre chuva má ou mágoa sem cessar,

como um dia frio longe do mar.
e ai de você se não me entender,
eu vou quebrar teus olhos
você vai se entregar. 

2 comentários:

Verónica Sofia disse...

goste muito, parabéns!

Marcelo R. Rezende disse...

Sempre profunda na relação e no obscuro!