quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ultimamente...

(escrito sem lirismo, sem compromisso, sem música, na sala de espera do médico, feito grito de desespero entre revistas antigas e rostos cheios de tédio.)

eu vou dizer que muita coisa anda passando pela minha cabeça, ultimamente.
mamãe foi embora e, não sei se consequentemente, ou se só por causa do clima maluco dessa cidade, eu ultimamente também ando bem encharcada de tanta chuva.
fevereiro ainda nem terminou e eu vou dizer que essa vida de ter que passar no banco, ver amiga de infância sendo mãe e cuidar da vida sozinha faz a gente se sentir meio perdida. e o problema, na verdade, é cair em si no meio do caos: você se desespera e se apega a única coisa que ainda não saiu do lugar. e você pode até fingir que não, que emocionalmente você ainda se mantém independente - e você chora, se sente mais sozinha que nunca, toma um café, fuma um cigarro e se força a enfrentar tudo isso sem ninguém do lado; o que é enganação consigo mesma, considerando que durante todo esse tempo a sua vontade é pegar o celular e correr pra debaixo das asas que ultimamente tem sido o seu único ponto de paz.

eu vou dizer que você arruína a sua vida fazendo isso, se refugiando nesse carinho que você não tem controle. muito menos segurança.

tem realmente passado muita coisa pela minha cabeça, ultimamente, sabe.

e eu vou dizer que o que mais eu tenho sentido é medo. medo que essas asas batam em retirada e eu fique aqui, no meio da bagunça, sem saber mais como ser durona e forte e independente.
e que agora, de qualquer jeito, a minha rotina diária é tentar convencer a mim mesma que, o que quer que aconteça, eu tenho que saber contornar. e sobreviver.
miseravelmente, eu tento: depois de ouvir um 'eu te amo, minha boneca' eu juro que eu digo a mim mesma que eu não vou ouvir isso sempre. e que eu devo aprender a lidar com isso.
risivelmente eu tento, todo dia, me desapegar dessas asas que agora carinhosamente me acolhem e me protegem de tudo que tem acontecido.
sem sucesso.
e ridiculamente mais feliz que qualquer outra pessoa no mundo.



você não me ensinou a te esquecer,
você só me ensinou a te querer... 

4 comentários:

Leni disse...

Incrivelmente nos sentimos quase da mesma forma. As coisas mudando e você não querendo ver. Porém, as asas só nos deixam quando já estamos prontos para voar sozinhos. O fato é se acostumar até você engrenar com sua vida alone e verá que podes fazer isso muito bem sozinha.
Melhoras... Beijos

Mariana de O. C. disse...

se eu te dissesse que você acertou meus sentimentos, estaria mentindo. mas chegou perto... talvez esse 'medo' que voce sente seja de um outro jeito pra mim. mas sempre significa força, pé no chão... furacões, forças da natureza e mulheres fortes sentem medo (:

Marcelo R. Rezende disse...

Ficar sozinho é um trem que assusta demais, principalmente, levando em conta a solidão total, de ter que cuidar da casa e das contas, de ter que acordar sozinha pra cuidar das próprias coisas, sem vínculo algum com família. Amedronta pra caramba, mas é de um crescimento imensurável. Se você acreditar em deus, dê uma rezadinha, uma parada em frente a uma igreja e faz uma conversinha rápida com o cara. Se for ateia, medita. Meditação é um trem que relaxa, desestressa, e nos coloca no lugar. Andando ou parada, você quem escolhe.


Um beijo bem gostoso.

Cássia Vicentin disse...

Semanas que eu me sinto assim, e eu odeio essa sensação, esse medo, esse vazio. E eu tenho medo de assumir que as coisas não vão bem... Uma hora passa, dizem que 'crescer' é isso.
Beijos