segunda-feira, 15 de agosto de 2011

365.

agora vê o que eu virei.
mendiga de carinho, perdida de caminho, te procurando em qualquer amasso de banco de praça, me consolando numas doses de cachaça, tudo isso pra ainda chorar encolhida, amarga pela sujeira de fim de semana: por que tudo isso ? por que essa distância toda ? por que essa saudade que eu sei que não vai sumir no sábado que vem ? por que essas lágrimas pra me deixarem mais fria e mais vadia e mais orgulhosa, dando cambalhota em qualquer coração idiota, cheio de um amor que eu simplesmente desprezo por ser incapaz de me ganhar, e vamos falar daquele 2009, onde amar não era vergonha, onde sorrir não me apodrecia cada vez mais, e mesmo assim eu continuo guardando lá no fundo quietinha aquela menina que roia as unhas, que explodia numa estufa cheia de flores, que era vulnerável e mesmo assim feliz de encontrar proteção nos seus braços, ela ainda existe aqui, medrosa e tão alegre com seus 15 anos, e ela aparece quando mencionam seu nome, entre as frases sarcásticas e os cigarros fazendo fumaça e os goles de vodka barata e as unhas escarlates e o olhar que hoje não vale nada, a tua bonequinha ainda te ama inocente mesmo misturada nessas histórias de ressaca, tua eterna bonequinha ainda te espera mesmo que agora esfregue a boca em peles quentes que acentuam a tua falta. e o pensamento ainda doente desde os pingos que caíram e te levaram pra qualquer bar de esquina, te lembras do dia que essa chuva começou ?, e não pergunta de qualquer chance que eu to desperdiçando: meu afeto endureceu e eu espero por uma ligação que não é tua, e ainda tem a árvore, que aguenta imponente à ventania úmida mas que no fundo sempre foi podre, eu ainda recorto versos de jornais e colo na parede enquanto um silêncio pesado me persegue: todo e qualquer amor que já está perdido, no fim é sempre qualquer par de braços fortes e o peso na consciência por não ter bebido o bastante, então não se há muito o que fazer: 14:41 e meu coração ainda é pesado. me desculpa.

3 comentários:

Brunno Lopez disse...

Os corações se pesam por esperanças falsas ou promessas incoerentes, que servem apenas para ilustrar um momento de cinema - ou seja, assim que as luzes apagam, ninguém mais se lembra do que viu.

Mas é claro, não se trata de uma celebração da melancolia, apenas uma citação de estado emocional.

Me identifico, acho super honesto de sua parte.

Isabela Nunes Costa disse...

Toda vez que eu venho ao seu blog é como se eu enxergasse uma parte de mim ainda adormecida - como se eu tivesse trancado em um lugar ainda desconhecido essa parte que eu ainda não estou pronta para revelar nem a mim mesma.
Esse texto me fez chorar copiosamente pela primeira vez ao ler um blog.
A tua intensidade, sinceridade e angústia escancarada sempre me desestabilizam da melhor maneira possível - se é que há mesmo uma boa maneira de fazer alguma coisa.
E que toda essa melancolia seja na medida certa da sua força, para que quando passar você consiga outras emoções que por um tempo poderão parecer novamente infinitas.
*--*

Evelyn Colaço . disse...

''amarga pela sujeira de fim de semana: por que tudo isso ? por que essa distância toda ? por que essa saudade que eu sei que não vai sumir no sábado que vem ? ''

Incrivelmente me desvendando... como sabes que o meu fim de semana fora tão insensato. Me pergunto por que da distancia? Agora tão perto, agora tão longe. Teus textos me inundam de sensações emboloradas, que não somem de repente, que não somem no sábado que vem.
Que me deixam indagando, indagante.

Abraços querida Veronica, minha admirável poeta.