quinta-feira, 21 de abril de 2011

foi só o vento de quarta-feira.

(ironicamente vivido ao som de look after you, the fray, e inviolavelmente escrito ao som de o poeta está vivo, barão vermelho.)

dei as costas. pisei firme, o salto ecoou sob a calçada, o vento batendo nos cabelos. só dei as costas. enfrentei a noite, sozinha, o peito descoberto demais, eu sei. simplesmente dei as costas, à lua me encarando grande lá de cima, à qualquer sorriso amarelo que me caiba, àquele ego demasiado pro meu afeto, ao póstumo que agora explode de dentro de mim fazendo vazar essas lágrimas e os pés tropeçarem nas escadas, não me peça pra ficar, não me peça pra amar amar e amar, meus ombros já caem sob o peso dessas noites com gosto de sempreamalditasolidão e eu nunca quis o mundo, veja bem, eu nunca quis esse escuro, devolveste minha impulsividade com mais precipitação enquanto enfatizava o minimalismo, só não me agrade enquanto ainda não me conhece, só ouça e finja que me obedece, por favor.
dei as costas. sai, fugi, corri pro caminho que sempre me espera no fim de tudo, tropecei, pisei em falso mas continuo, só segura desta minha vontade louca de fazer tudo dar certo desta vez. e tudo vai dar certo: dei as costas à essa esperança idiota de sempre acreditar no melhor das pessoas, dei as costas e vesti minha máscara, só assumi o Dorian Gray que vivia trancafiado aqui dentro.


e não me peça pra te olhar mais docilmente.
te dei as costas e agora não tem volta.

Um comentário:

Mariana de O. C. disse...

maravilhoso, coomo sempre!