domingo, 19 de setembro de 2010

ela perdeu um cd e um medo. ela perdeu o controle.

ela nunca fora dada a poses blasé e tudo o mais. só que era inevitável se sentir assim, naquele momento; toda arrumada, sentada num banco, em frente a um dos principais pontos turísticos de curitiba, o beirut ressoando nos fones de ouvido, o vento fazendo todos aqueles cachos cuidadosamente arrumados se bagunçarem, inúmeros grupos de amigos tirando fotos e dando risada, e ela ali, sozinha, a espera dele.
"15:47, e se ele estiver mentindo pra mim e não vir aqui me ver ? eu acabo com a raça de todos os seres masculinos da face da terra se ele me der o bolo". ela concentra o olhar naquele caminho lindamente ornamentado por chafarizes e estatuas. será que ele vem ? é, talvez não venha e ela tenha que sair caminhando pelo parque sozinha mesmo, pensando num jeito eficaz de se vingar de todas as coisas erradas que andam acontecendo com ela, ultimamente. ela somente precisava parar de esquecer das coisas, arrumar o quarto, estudar mais e dar um jeito no setor amoroso e tudo certo, provavelmente a vida dela começaria a andar pra frente e... cabum! alguma coisa despenca ao lado dela, subitamente, tirando-a de repente da auto-análise momentânea.
era ele.
ele viera correndo e sua respiração estava ofegante. e ele estava gelado. - bom, todo mundo ali estava gelado. e ele estava adorável, ela simplesmente se apaixona por ele toda vez que o vê, com aqueles olhos castanhos e aquela pele branca, com aquele sorriso de dentes separados e com aquele toque extraordinário, era totalmente incontrolável o que ela sentia por ele.
e eles se abraçaram, e se beijaram, e conversaram, e riram, e se abraçaram de novo, e se beijaram de novo; o clima frio fazia eles ficarem perto um do outro, cada vez mais.

[...]

ele lhe pergunta e ela lhe responde somente com o silêncio; é óbvio que ela passou a semana inteira pensando em variados jeitos de chegar naquele assunto com ele, mas só precisou ele encostar aquela mão gelada no pescoço dela, pra aquele temor simplesmente desaparecer dos pensamentos dela.
não, estava cedo demais. ela não ficava vermelha em quase nenhuma situação, mas ela sentiu o sangue lhe subir a cabeça depois daquela pergunta; ele fala sobre camas-elásticas e músicas do keane, e ela simplesmente afunda o rosto no pescoço dele. não, ela não quer responder, ela não quer o preocupar com neuroses da cabeça dela; as palavras daquela garota sempre foram extremamente impulsivas e levianas, é claro que ela se aflige, mas todo mundo sabe que é pura besteira da imaginação dela.
só o silêncio ele recebeu. e ponto. a tarde já estava acabando, as luzes estavam se acendendo, o parque já tinha esvaziado e estava na hora deles pegarem o ônibus para casa. ela só o quer por perto, independente do tempo de paciência dele para com ela. se ele a deixar, ela se vira, ela sempre se virou; a vida continua, tem que continuar, mesmo que o coração seja quebrado duas vezes seguidas; se isso ocorrer, ela precisa se virar sozinha.

sem sofrer por antecedência, ela optou pelo silêncio, somente. e sobre as respostas que lhe ocorreram naquele momento, só ela e aquele cachecol vermelho souberam e mais ninguém, será o segredinho deles.




she's lost control, she's lost control again.

8 comentários:

Glecy disse...

[...]só o silêncio ele recebeu. e ponto. a tarde já estava acabando, as luzes estavam se acendendo, o parque já tinha esvaziado e estava na hora deles pegarem o ônibus para casa. ela só o quer por perto, independente do tempo de paciência dele para com ela.[...]

E não importa o quão decidida ela esteja, ele sempre conseguira fazer com que nada mais importe, a não ser aquele momento único, somente deles.
Pode parecer tolo e ridículo, mas é assim que nos comportamos quando estamos perto de alguem perfeito demais, um verdadeiro anjo.

e sim, é realmente compensador passar por aqui.
meus parabéns, mais uma vez, esta perfeito!

bruna disse...

"sem sofrer por antecedência, ela optou pelo silêncio, somente. e sobre as respostas que lhe ocorreram naquele momento, só ela e aquele cachecol vermelho souberam e mais ninguém, será o segredinho deles."
ADOREI

Lunna Guedes disse...

Acho que o silêncio nos impõe um cenário onde tudo que importa são as nossas sensações que nem sempre conseguem ser traduzidas.
Acho que o importante é que no meio disso tudo haverá olhares, ilusões e segredos que não são alcançados por mais ningúem. rs
Bacio

Evelyn. disse...

LINDO LINDO.

Evelyn Ceinwyn . disse...

''a tarde já estava acabando, as luzes estavam se acendendo, o parque já tinha esvaziado e estava na hora deles pegarem o ônibus para casa. ela só o quer por perto, independente do tempo de paciência dele para com ela.''

Sempre chega a hora de partir, e as perguntas e respostas que levamos dentro de nós sem saber como externar são o segredinho entre o cachecol e os suspiros infdáveis.

Sempre perfeita Veronica!

Adoro você. Beijinho.

Camila disse...

Caramba, me indentifiquei demais com esse texto. Tá ótimo, ótimo e ótimo! Nem preciso falar que adooorei, né? ;D

Grafite disse...

Está lindo!!!
=)

beiijo,
*.*

Rívia Petermann disse...

O silênnio é tão belo quanto as melhores palavras nos melhores momentos.E as paixões mais admiráveis as que são colocada em análise ,e depois esvanecida qualquer análise mesmo sem ser terminada.

Belo post!Bjs