sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

onde

fui tentar datar desde quando essa necessidade escrota de independer das pessoas e me perdi. desde cedo. infantil. não sei porquê isso. olhei pra minha estante e tentei distinguir onde você terminava e eu começava, fui indo bem entre woolf e nietzsche, aí então chegou fitzgerald. chegou nabokov. vi os beats e nós dois. depois cornwell, gaiman e então palahniuk. quis chorar. quero um pouco de mim. atacaram minhas fobias de distância. não me culpe. só me diz até onde dá pra confiar em você. e não vem me falando do tempo e dos anos e do amor e de tudo o mais, olha minha vida, olha meus pais. olha tudo e só me responde: onde eu começo? onde você termina? e não diz que é em mim, nos meus seios, na minha boca, não mete sexo no meio, não mete desse jeito. vê se me enxerga sozinha, sem estar diluída nessa sua lama de nós dois demais. diz, o que você vê? tira a carência, tira o drama e a bagunça. porque eu não consigo ver muita coisa e o que eu enxergo sempre tem alguma coisa tua. até claustrofobia. claustrofobia de dependência demais. só me diz até onde eu posso confiar em você, onde que você vai me decepcionar. foda-se o horário. foda-se a altura. você me vê? sem retórica nem durkheim.
ou dê seu jeito. que nunca te é esforço, aliás.

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