sexta-feira, 13 de julho de 2012

tua.




ou talvez você conheça a vagabunda. e a faça te amar como todas as outras -
e puxa o cabelo dela. diz que ela é tua. que você é seu dono. ela adora tua pretensão. ela finge que come na tua mão. e vai te pedir mais. mais forte. mais fundo. até a vagabunda perder o fôlego e virar criança tremendo na tua cama. e então, a criança vai te pedir colo. vai te pedir carinho. vai te chamar de amorzinho. e depois que levantar, vai dizer que nem te ama. vai se fazer de durona. vai vestir a roupa, prender o cabelo e fingir que não tá nem aí. vai vestir sarcasmo e vai te rasgar de desprezo. vai destilar toda a agressividade dela em cima de você. e então, vai ficar quieta. vai se guardar num silêncio pensativo. vai concluir que não adianta quantas ela resolver ser, quantas ela inventar, todas elas, sempre terão uma coisa em comum: são todas estritamente tuas.





e sei lá: a gente às vezes é tanta coisa que até cansa.
e eu sempre vou dizer que eu sou aquilo que eu vivi - então só pensa no que você já viveu. pensa nos amores, nos buracos, nos estragos, nos tombos, nos obstáculos, nas decepções, nas saudades, nas reviravoltas, nas lágrimas, na tua infância, nas frases dos teus livros sublinhadas, no fim da tarde da quinta-feira passada, no que você enxergou aquela noite no fundo do copo do uísque. isso tudo que tá passando pela tua cabeça agora: você é isso.
e isso, ninguém te tira.
nem você mesmo.

2 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

FODA <3

Obrigado por participar.

Tracy Ellen disse...

na boa, me encontrei, DIVINO, AMÁVEL DEMAIS!