domingo, 31 de julho de 2011

ihrer.

então agora diz como faz pra continuar a te desprezar nas noites chuvosas em que essa tosse consome com toda a minha esperança meio pálida e querendo ser franca – que até funciona quando passa da hora e eu ouço qualquer declaração bonita vinda lá do cinza que, de qualquer jeito, ainda me consola: e eu já substitui a exclamação pelo ponto final, veja bem; eu já conservo minha sanidade no orgulho mais concentrado e bem situado que eu já pude fazer nascer em mim, meu coração já está gelado desde que eu parei de esquentar tuas orelhas e encarar tuas voltas cordas serpentes malditas e verdes que tanto me prendem aqui, guardando tuas noites de bebedeira e te amando inteira verdadeira derradeira de uma vontade como quando te registrei meu na explosão dos adesivos na parede, eu já virei uma cópia tua e mesmo assim meu corpo voltaria a ficar quente só pra poder receber teu frio de fim de tarde no parque, parou de doer, parou de esmaecer, só parou de se defender e que vencida diz qualquer coisa sobre eu ainda te querer, sobre ainda te esperar, meu anjo, sobre ainda te amaldiçoar por já não ser mais motivo do meu sorriso de desespero contido, sobre me forçar a ter que ir encontrar consolo numa paixão inocente inconseqüente e talvez até inexistente, que nem devia me afligir mas se destaca em qualquer hora da madrugada, que me faz querer desaparecer em qualquer abraço quente, sem pensar em chantagens, vinganças ou homenagens, e que me surpreende por ainda te lembrar, por ainda te amar, calculista, arrogante, desumano ou de qualquer jeito agora, mesmo assim: só que ainda meu.

3 comentários:

Evelyn. disse...

Além da história ser tristemente linda, só queria dizer que adoro assim, sem pontos, com umas rimas embutidas e vírgulas suficientes para parecer algo sem fôlego. Só isso.

Rita disse...

adorei o blog

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Mariana de O. C. disse...

se essas rimas derrubam até a mim, que não fico surpresa com tamanha genialidade, imagina pra pessoa citada no texto!