terça-feira, 31 de maio de 2011

dor racionalizada.

o problema é que eu desaprendi como se faz pra transformar esse amor em coisa boa, coisa bonita. o problema é que eu desaprendi a ser restrita, a encarar a vida com a esperança doce que foi embora quando eu fui fria e nunca mais parei.
tudo de dentro do peito tem gosto vazio. toda essa dose maciça de vida sem você faz soar tão caótico que o que realmente me congela é que eu vou acabar superando tudo isso sem nem ao menos ter visto um vislumbre de apoio, de atenção tua quanto a mim e não me fale sobre tua vida mudada com tua namorada – continuemos com o teatrinho de merda de civilidade.

assim. você não me abraçou quando eu precisei.

eu acordei e encarei o amargo da lembrança do medo póstumo de ser desumana e depois acionei meu sentimentalismo com cerveja e vi que o ano nem ao menos passou da metade: perceber que não são só os meus pés que ultimamente parecem pertencer a um cadáver.

sou veemente demais pra usar um livro como metáfora, dividido em capítulos e precisando-se virar a página para descobrir o próximo ato; mas mesmo assim. “se não puder lutar contra, junte-se a eles”.


já se passaram nove meses e eu ainda nem ao menos consigo me controlar quando ouço falarem de Red Sox – mas talvez seja tudo coisa da minha imaginação.
isso sempre se resumiu num aborto, afinal.

9 comentários:

Isabela Nunes Costa disse...

Sabe, por maior que seja a tua dor ou a falta que esse alguém te faz, pelo menos você se deixou levar pelo o que sentia algum dia. Eu admiro muito isso, pois eu fujo de todo e qualquer sentimento possível.
Não que eu engane a mim mesma dizendo que o sentimento não existe, eu só deixo isso para lá,como se não fizesse a menor diferença. É terrível, e eu espero que você não deixe que isso aconteça com você. Depois que nos acostumamos é difícil mudar os hábitos.
''isso sempre se resumiu num aborto, afinal.'' é justamente por pensar assim que eu não deixo que as coisas comecem, para que não tenha um final trágico. Bobeira e infatlidade da minha parte, eu sei.
Enfim, amei a sua descrição dessa melancolia agressiva <3
Você simplesmente escreveu a minha vida nesse teu texto, um eu cheio de inseguranças e muros ao redor - e desculpe por falar demais,quase sempre, nos comentários.

Marcelo R. Rezende disse...

A morte de algo que não aconteceu.
FILHA, VEMK PRO MEU CORAÇÃO!

beijo

meus instantes e momentos disse...

que bom teu blog.
Muito bom o texto, um vocabulário vasto e um jeito bonito e inteligente de escrever.
Maurizio

Mariana de O. C. disse...

e mesmo que teus pés REALMENTE pertençam a um cadáver, sua mente sempre me parece extremamente FODA.

Leonard M. Capibaribe disse...

Como não se perder no nosso sentimento de falta? Quando escuto Cold Play, lembro do meu passado e sinto falta... E eu gosto de Cold Play... Logo isso é uma constante... Não dá pra se evitar, mas dá para conviver com essa falta...

Suzi disse...

Nem sei se posso dizer que entendo o que está acontecendo...Bom, talvez eu entenda porque já passei por algo parecido. porque senti falta de alguém que não me merecia e que já estava com outra. Coisas assim. As pessoas conheçam a falar toda e qualquer coisa. e a palavra "valor" vem à tona.o que elas sabem da nossa dor? pouca coisa...talvez nunca tenham sentido, chorado todos os dias, talvez elas nunca tivessem que esconder uma lágrima fugitiva, ou puseram as mãos no rosto como que para suportar o que estava acontecendo...Poucas pessoas entendem...

Enfim, acho que eu te entendo um pouco. E desculpe pelo enorme comentário. estava de passagem e resolvi ficar, estou seguindo.

margoh werneck disse...

Sabe o tempo??? ele vai lapidando e transformando....

adorei seu jeito.te sigo

beijao

Luana' disse...

concordo com tudo que a Suuzi ali em cima disse (:
Eu te entendo, as vezes temos que suportar tanta coisa, escondendo a dor com um meio sorriso no rosto..

Anônimo disse...

Oi pessoa