terça-feira, 22 de março de 2011

segunda-feira.

(eu até podia falar das cores, mas ando meio avessa a ceder ao sentimental, só deixemos isto para sexta.)

depois dos vôos, das voltas, do cara do exército e do rapaz da camiseta do metallica, sobrou só os hematomas, roxos no pescoço e cinzas de encosto, dor nas costelas e talvez eu até reclame por qualquer proteção que me caiba, saudemos minha velha bandeira de descuido, afinal. cachecóis, analgésicos, hoje começa o outono e de renovado só o hálito, mistura de uísque com café disfarçada pela menta; e aliás, por que wonderwall continua tocando na rádio, o mundo não tinha acabado ? é sobre até os laços mais resistentes terem se quebrado e o passarinho continuar esbarrando com o bico no vidro da janela como quem diz, ó desculpa aí mas é que já amanheceu só você está dormindo e manter os olhos assim fechados não muda o fato de ainda continuar respirando sabe.
eu não estou enlouquecendo nem precisando de coração batendo forte, só tô querendo a paz que esse mundo de batidas aflitas infinitas diluídas desmedidas incorrigidas não possui, eu insisto em vestir os sapatos, bater os cabelos, desenhar um sorriso, sair ainda achando que vou encontrar consolo pro pedaço que falta aqui dentro, eu quero fugir de mim e me confundir na neblina gelada das seis, eu quero voltar pro poço de explosões de adesivos registradas no museu que testemunhou só minhas alegrias de finzinho de tarde.

é quase abril, queria te encontrar antes dos 19 e falar do passarinho, da poça, do amor que foi embora mas sempre volta pra fazer visita. 

tudo o que eu queria era me perder, mão por baixo da blusa e o negro de ontem ao redor dos olhos, e agora que eu visto minha calma e meu sutiã, olhei lá pra fora e quis voltar pro agosto ventoso, pro agosto antes das águas divididas e das dúvidas que tanto me acariciaram, ah agosto... aprender a enfrentar tudo de frente tá virando castigo pra quem desprezou da maldita cama-elástica que tanto faz falta e que invariavelmente, irremediavelmente mergulhou de repente numa overdose de vida real demais.

5 comentários:

Ilzy Sousa disse...

Se as coisas continuarem como estão, vou por o link do teu blog no meu perfil.
"o amor que foi embora mas sempre volta pra fazer visita." E insiste em dizer que é o fim, pelo menos por enquanto.

amo muito me encontrar nas tuas palavras. talvez até me perder nelas.

Marcelo R. Rezende disse...

Eu acho que a ausência de cor nos faz refleti sobre coisas que nunca faríamos com dias coloridos, como, por exemplo, esse vazio que se dá em dias confusos, essa nossa falta de sim para o não.


Beijo.

Rah . disse...

Muuito lindo seu texto. Lindo e profundo.

Adoro ler teus liindos 'contos misturados sempre com um pouquinho de nossos sentimentos.

bjoos

Letícia Silva disse...

''aprender a enfrentar tudo de frente tá virando castigo pra quem desprezou da maldita cama-elástica que tanto faz falta e que invariavelmente, irremediavelmente mergulhou de repente numa overdose de vida real demais.''
fico maravilhada sempre que passo por aqui, seu modo de escrever e passar tanto sentimento nisso. sabe, quase que consigo imaginar os turbilhões de ideias e emoções que haviam em ti no momento em que escrevestes tamanho é o sentimento que passas, a emoção que transmites. beijo querida.

Mariana de O. C. disse...

amo muito me encontrar nas tuas palavras. talvez até me perder nelas. [2]