sexta-feira, 25 de março de 2011

cachaça.

tô escrevendo isso por culpa da insônia, lembrei da rua e do teu aniversário, te presentearei da melhor forma que me convém, já que a distância nos põe como desconhecidos.

sabes, ainda te amo; pois senão, não lhe escreveria isto nem ainda manteria guardada aquela carta no fundo da gaveta. agora que paro pra pensar, talvez nem leia isto, tens outros amigos e pouco te importas o meu desejo de que sejas feliz, eternamente. mas não sinto tua falta, se é isto que te incomoda; razão, orgulho e algumas doses de uísque me aquietaram, repare que não mais lê trechos de caio fernando abreu com tanta frequência, acredite, aprendi a consolar meus arranhões em outras costelas. e podes rir, de pena ou de deboche, já passei do tempo de me importar com isso. e eu poderia ter te amado para sempre, já dizia Alice.

mas isto aqui não se resume em dizer que vivo bem sem ti, mas pra te dizer que ainda estou do teu lado; ainda tens alguém que guarda teu sono toda noite te sussurrando "eu te amo" e te abraçando pela imaginação. incoerentemente, estarei sempre aqui para ti, seja para ajudar a amarrar teus cadarços ou consolar tuas lágrimas talvez sempre disfarçadas com irritação. só não tenho interesse em saber como andas, se moras com tua mãe ou se fizeste a barba, ainda dói saber que vives sem me ter por perto, sem me direcionar qualquer afeto, borboletas do estômago ainda se apoquentam com tua tamanha interpretação.

queria eu era poder berrar teu nome pra todo mundo ouvir, um nome de anjo que há tempos meus lábios se recusam a pronunciar, mas com toda esta tua mania de discrição, tu me processarias ou algo assim. fostes a pior coisa que me aconteceu pra me fazer feliz; e como fui feliz. de qualquer jeito, ainda bebes à noite em alguma esquina enquanto meus cachos se enroscam em outras línguas, ambos fugindo sabe se lá o que da vida. só me desculpe, mas é impossível não fazer isto soar amargurado, já que nosso fim não foi nem um pouco doce pra mim.

tudo isto, obviamente, é resultado de um dos meus impulsos mal-controlados, é assim, numa hora te amo e noutra te odeio; mas tu, sempre. pois quem lá disse que rapidez é sinônimo de fraqueza ?!

hoje é teu dia, mas amanhã é o meu, lembre-se bem, afinal.

e um feliz aniversário, meu anjo.




e só me vem quando não há certeza
me desconjuros pra apagar a beleza
da incertidumbre das mesmas mãos que as suas

e me atinge da melhor maneira
como cânhamo ou cachaça certeira
pra antecipar a quarta-feira.

8 comentários:

Marcelo Mayer disse...

só com cachaça mesmo

Marcelo R. Rezende disse...

É o tipo de carta que desarma.
Diva.

Beijo.

Gabriel disse...

Obrigado Verônica!
:}

Brunno Lopez disse...

As datas sempre nos fazem cócegas ou simplesmente nos aprisionam, depende apenas de como as coisas terminaram.
Ainda que melancólico, é extremamente necessário que soe assim. É bonito desse jeito, a leitura vai coroar isso que você sente mais do que qualquer outra pessoa.

Começo e final, sublimes.

Mariana de O. C. disse...

assim voce me quebra, mesmo, heinn
fico impressionada com como voce consegue ser tão forte e tão sutil ao mesmo tempo, pqp, PARABÉNS ;~

Fil. disse...

Avassalador.
E eu gosto: real.

Bem real.
Sou teu fã. Parece que você está sempre no âmago da coisa escrita. Sempre deliciosa - mesmo em amargor.

E obrigado pelas palavras no blog <3
Estava precisando MESMO daquele "não para nunca de escrever".

<3

Ilzy Sousa disse...

Uma rendição doce e delicada, apesar da amargura disfarçar tudo.
Acredite, amor, apenas os muito fortes tem coragem de escrever essas coisas e você é mais forte que tudo isso.

Mas hoje é o seu dia e ninguém está interessado em mais nada, se não em você <3
Parabens denovo.

Lua disse...

è uam contradição de sentimentos, mas isso aocntece porque nao qu eremos mais, mas ainda lembramos..

bjos!
volte sempre ;)