sábado, 23 de julho de 2011

vitamina de abacate.

nem machucou o teu jeito,
eu nem sei mais te amar direito,
é que aqui nunca mereceram meu respeito –
teu frio foi embora 
e agora 
só perdeu o efeito. 

e meus parágrafos sempre prontos pra despedida,
indiferente pro que te excita,
indiferente agora pra justiça,
a artista devia era cantar na fita,
cantar que o amor
não mais me conquista,
não escurece a vista,
não é mais minha sina –

então me dá mais conhaque e
conversemos do azul que trate,
da tua coisa boa em mim que foi pro abate,
dos meus lábios que se calam ainda escarlates,
meu peito enfim perdeu-se no combate,
virando tudo vitamina de abacate e
qualquer rima que desempate
essa história toda de biscate.

larguei o coração no chão,
então para com a hesitação,
eu desapeguei da lamentação,
sempre temperei tudo com furacão
mas enfim desisti da tua mão.

agora ouve –
o meu você não mais te pertence,
foi tudo um espetáculo circense
que eu só transformei em rima decente.



o meu samba que era apenas pra dizer 
algumas coisas pra você 
está em rede nacional 
mas se você já tem alguém 
ele não serve pra mais nada. 

4 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Eu preciso dizer que esse trecho ganhou meu coração:

então me dá mais conhaque e
conversemos do azul que trate,
da tua coisa boa em mim que foi pro abate.


Um beijo em você.

Mariana de O. C. disse...

e, quando eu passo aqui, ou penso na minha própria vida, vejo que, mesmo quando a gente não tem o que quer, ainda da pra escrever e ser foda como você. :*

Fil. disse...

espetáculo sim. sempre.
<3

Paula Moraes disse...

Belíssimo poema, forte e vibrante.
Boa semana
Bjs