terça-feira, 8 de março de 2011

e ainda nada daquele samba.

nas pontas dos pés ela evitou o barulho, ela só rasgou o embrulho que encerrava a vergonha das olheiras que tanto resultam no orgasmo alheio; e escondido sob o cachecol vermelho que tanto guarda segredos havia umas marcas indecentes de vingança, que só dor trás ao póstumo rapaz.

erra , menina. espera, vadia, que teus cachos duros de vodka velha ainda verão tangos sujos da leviandade cortante dessas barbas que tão cruelmente arranham tua pele branca e fazem teu prazer virar cinema.

vermelho é teu esforço, barato é o teu corpo que tanto desliza em quaisquer mãos, buscando consolo e esperando que as provocações perdoem a vontade de somente se perder na rua fria que beira os confins do irremediável desespero.

não se sacuda e não mais se iluda, ela agora se aventura e não há mais desculpa para os ônibus vazios e amores agredidos.




é incerto que a saia rubra
não mais seduza
a displicência das mãos frias,
deveras trazendo a porcaria
do calor da cria.

e o cheiro das velas ao som do tango,
faz encanto ao óbvio morango
que são teus olhos vermelhos
beijando meus rasgados joelhos,
inconsciente,
inconsequente.
me adornando numa resignação almofadada,
que não mais passa
de uma proteção desavergonhada.

(ecos passados ainda presentes.)

5 comentários:

Mariana de O. C. disse...

acabei de morrer com o seu comentário.
digo o mesmo pra você, não para NUNCA, independente do que você esteja sentindo. ;~
ta meio foda de postar por aqui pela falta de internet, mas eu sempre vou pensar em vc, querida, obrigada por tudo. <3

Marcelo R. Rezende disse...

A coesão e contundência é admirável. Um dos seus melhores escritos, certamente.

Beijo, linda.

Ju Fuzetto disse...

E vc descreve toda dor e toda inocência num copo de vodka e alguns sonhos feitos de vento.


Um beijo

Evelyn Colaço . disse...

''Não se iluda...''

Como sempre escreves tão bem dentro de mim!

Obrigada pelo carinho de sempre, minha linda Veronica.

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beijos

Fil. disse...

Nossa!
Você está cada vez mais deliciosa.

Senti que fluiu poesia mais do que nunca, dançando na ponta dos pés, arrepiando a pele, odor de puro erotismo e delicada chama - consumindo teus pensamentos errantes, pulsantes nas teclas do teclado.

Fez-se o que ainda não é aquele samba, fez-se o que é teu próprio enredo.

bjos <3