terça-feira, 15 de março de 2011

abstrativo instintivo.

pousei os olhos no teto e o david bowie do botton me encarou; assim. é o encanto que foi não sei pra onde, é uma camiseta de filme cortada tão cheia de histórias, fechei os olhos pra ouvir o baixo daquela música, if you were there beware the serpant soul pinchers, li flores do mal e quis explodir, os saltos do meu sapato já estão machucados, é só o vento que bateu num cacho molhado, a loucura que vem depois da solidão, o prazer repentino do apagão, lambi minhas unhas, alimentei minhas agulhas, lembrei de van gogh e quis virar estrela cadente que alimente esperanças, já que a lâmpada do meu quarto queimou, só queimou, ah não, não me perguntem sobre o que sobrou, não questionem do amargo que vira doce, apenas não peçam pra pedra quebrar e virar manto quente, estou contente com o monólogo e nem dostoiévski, jobs ou coca-cola vão me fazer desmoronar, crime é quebrar os espelhos e declarar que amor existe, é que eu pensei a mais, équeeutôbebendodemais, minhas lembranças caíram e foi decretado estado de calamidade pseudo-cardíaca, ou talvez seja só minha pálpebra insistindo pra eu dormir, são duas da manhã e daqui a pouco qualquer cálculo sem sentido consumirá o pouco da disposição sentimental de mim, 02:02 e já matei mais uma de dentro de mim, até a loucura anda ganhando responsabilidade, e me sinto perdida quando penso sobre quanto amadureci desde novembro, lembram de novembro ?, mas não falemos de partidas, minhas rugas imaginárias aumentam e eu tenho pressa depressa, só foi lá que o meu fim começou, que meu começo terminou ou qualquer coisa assim, as cortinas estão longe de cair, o samba só anuncia o próximo ato, dramático, emplastificado ou enrolado, não importa realmente, organização nunca foi meu forte e o quarto já está escuro demais e o relógio já me chama para a rotina grudenta e irritante.
boa noite.

4 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Eu tenho umas vontades, cá dentro, de dizer que você é quem mais eu gosto de ler aqui. Se não o fiz antes, faço agora. Só um palavrão te define: você é foda.

Eu sou dado a essas divagações do ser, deito, coloco Janis e penso na minha vida, que não tem roteiro, mas que eu gosto muito de inventar.

Beijo.

Brunno Lopez disse...

Você faz conjecturas de uma forma que imagino estar acompanhada de uma taça de vinho.

Suave, ousada. Um pé na realidade e o resto nas divagações de personalidade, de ânsia por descoberta, de respostas ainda obscuras sobre o tempo real.

Eu gostei disso.

Patrícia ♥ disse...

Adorei tudo aqui,
simplesmente sublime..

estou seguindo,
beijo
http://pathyoliver.blogspot.com

Mariana de O. C. disse...

sem palavras again. adoro coisas espontâneas (demais) e esse matou.